Transparência e celeridade nas investigações da execução de adolescentes nas dependências do Centro de Triagem do Juizado da Infância e da Adolescência, no Olavo Bilac, são pautas de reunião.
O Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente do Ceará (Cedca-CE) se reuniu, ontem à tarde, para cobrar transparência e celeridade nas investigações da execução do adolescente Rômulo Alves da Silva, 17, ocorrida na noite da última terça-feira nas dependências do Centro de Triagem do Juizado da Infância e da Adolescência, no Olavo Bilac. Durante a reunião, também foram designados dois conselheiros para acompanhar o andamento da investigação.
Para o vice-presidente do Cedca, Narciso Coelho de Oliveira, é muito estranho o fato de o adolescente ter sido ameaçado por policiais no Instituto Médico Legal (IML) e, no mesmo dia, ter sido assassinado. "A família dele presenciou as ameaças". De acordo com o conselheiro, é preciso que os órgãos responsáveis investiguem o caso com rigor e transparência. "Queremos que o estado de direito seja respeitado, senão as pessoas vão sair por aí tentando fazer justiça com as próprias mãos".
A coordenadora do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (Cedeca), Patrícia Campos, classificou a execução do adolescente como uma ação extremamente ousada. Mas segundo ela, a ação de grupos de extermínios no Estado não é nenhuma novidade. "Para a gente, isso não é um fato isolado, pois existem outros casos de ação de grupos de extermínio no Ceará. Mas neste caso, tem um peso diferente porque o adolescente estava dentro de um equipamento público".
De acordo com Patrícia Campos, é preciso que seja investigado, de forma transparente, se houve ou não participação de policiais militares no incidente. "Se ficar comprovado será um caso muito sério, porque nós teríamos agentes públicos investindo contra agentes públicos".
Fonte: Jornal O Povo - 20/07/2006